domingo, 18 de janeiro de 2009
Sócrates considera casamento homossexual
Escolher o partido para aplicar a cunha
Estão quase a chegar eleições. Este ano temos Europeias, Autárquicas e Legislativas e só se o leitor tiver uma tipografia é que não deve escolher um partido, pois vai ter de arranjar clientes para fabricar cartazes e não vale a pena estreitar o mercado a uma só opção. Caso seja construtor civil também não leia isto, continue fiel ao seu presidente da câmara ( retire o seu apoio apenas se reparar que as eleições estão a ir para o torto).
Neste texto vou ajudar o leitor a subir na vida através de um cargo político. Não é difícil, tem apenas de fazer as melhores escolhas. E não se preocupe, nem toda a gente vai seguir o meu conselho logo vai haver sempre gente a pagar impostos e a suportar as suas asneiras e inexperiência no seu novo cargo.
A primeira escolha é: deverá manter ou largar o seu emprego actual? Por uma razão de duplicação de activos eu digo manter. Caso escolha largar deverá candidatar-se a cargo mais bem pagos do tipo: primeiro-ministro, ministro, parlamento, parlamento europeu. Como estes cargos são bem mais difíceis de conseguir e muito mais expostos à comunicação social. - Eu ainda não referi isto, mas nesta ocupação a comunicação social é como a carta "vá para a cadeia" do Monopólio: mesmo se passarmos na casa de partida não recebemos o dinheiro (mas é claro que nenhum político vai realmente preso). - Ora como o objectivo é subir na vida, o objectivo é conseguir juntar o maior número de subornos ao longo do mandato, mas não só... Uma pessoa com postura para estes cargos consegue que lhe paguem o jantar durante o mês inteiro. Uma pessoa realmente capaz consegue, mesmo apenas sendo vereador da cultura de uma junta de freguesia de uma aldeia da beira alta que lhe paguem os jantares todas as noites, o infantário privado dos filhos e os jardineiros da freguesia a tratarem do jardim da casa.
Mas que partido político escolher?
Da Esquerda para a Direita há cinco opções (esqueça os outros, nunca serão eleitos):
BE: Esta é uma má opção para partido político, primeiro: nunca serão eleitos para formar governo, para a Europa elegeram 1 deputado que sinceramente se deve sentir muito sozinho, para o parlamento nacional elegeram 8 que por decreto partidário tem de dar lugar a outros ( que embora pareça porreiro pois duplica o numero de lugares disponíveis, impossibilita a possibilidade de obter uma reforma vitalícia) e elegeram algumas pessoas para câmaras municipais. Segundo porque fica-se com má fama, muito má fama, é daquelas coisas que não se pode colocar num currículo quando se vai a entrevista a uma empresa, especialmente se aparecermos de gravata. O BE não usa gravatas, topam logo que se esteve atrás de tachos...
PCP: Este partido é em quase tudo igual ao BE, defendem os mesmos ideais, vestem-se da mesma forma, lembram-se com saudade da Rússia antiga. A diferença é que conseguem eleger mais deputados. E mais presidentes de câmara. Especialmente no sul do país. Não tente ser do PCP no norte é simplesmente absurdo, nunca irá a lado nenhum. Se for eleito para a Europa então terá um teste especial, um género de pré-requisito, vai ter de conseguir submeter o maior número de leis no menor número de tempo, mas não se preocupe que nunca ninguém as vai ler (É assim que se trabalha por lá).
PS-PSD: Estes dois partidos eu agrupei-os porque na verdade eles são o mesmo! Exacto. Veja bem! Qual é o melhor método de se estar sempre no poder? Basta dividir um grande grupo em dois e uma vez vai para o poder um, depois o outro (Era como dividir o Macdonalds em duas grandes cadeias de restaurantes, ao almoço você come o Big, à noite janta o Mac e varia). Têm ambos os mesmos ideias, ambos tentaram pertencer à internacional socialista (embora o PS teve mais sorte aqui). O estilo de governo é sempre o mesmo, nunca se nota as diferenças. E o melhor é que eles são eleitos para tantos cargos que mesmo sem querer você acaba eleito, e como elegem muita gente 80% dos eleitos nem sequer precisa de mostrar trabalho, é só encher o bolso de dinheiro. São os partidos ideais para quem quer ficar bem na vida. Além disto há um extra. Quem não for eleito para nenhum cargo (ou mesmo alguns forem e mesmo assim precisem de colocar algum ao bolso para pagar o jipe) estes partidos vem com uma cerejinha em cima do bolo: os "jobs for the boys", que são aqueles empregos mais bem pagos nas empresas públicas que vão calhar a membros do partido.
CDS-PP: Este partido é igual ao BE e ao PCP, a diferença é que usam gravata, brozeiam-se acreditam em Deus e vão à igreja todos os Domingos. Ao contrário do PCP só tente ser deste partido no norte do País, no sul é estúpido, nunca vai ser eleito. E se for eleito para o parlamento pode-se tentar ganhar a lotaria vendendo-se ao partido da maioria, mas o ultimo gajo a fazer isto ganhou apenas queijo.
Caro leitor, desafio-lhe a candidatar-se! Envie-me depois a sua história de sucesso!
P.S. Na Madeira vale a pena também ser do PND mas só porque deve ser porreiro ir às reuniões com aquele deputado que levou a bandeira nazi para o parlamento regional, o gajo deve ser um danado prás brincadeiras.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Há coisas fantásticas, não há...?!
Um amigo meu está a estudar numa Universidade pública portuguesa (não vou necessitar de ser muito específico porque acho que toda a gente de algum modo se vai reconhecer nesta situação). Ele até é um aluno razoável, com qualidades até reconhecidas pelos colegas e alguns dos professores com quem teve contacto.
Na semana passada teve um exame, para o qual até tinha despendido bastante tempo a estudar. Durante o exame, viu-se um pouco perdido no meio das questões que lhe foram postas e às quais verificou que não era capaz de responder. Decidiu não entregar o exame, consciente do pouco que tinha conseguido fazer. Após uma situação destas, uma pessoa começa a reflectir sobre o que correu mal durante o semestre, durante o ano, durante o curso e acaba a reflectir sobre a própria vida. Muitas depressões começam assim.
Quando os resultados saíram, num universo de quase 400 pessoas, duas tiveram notas entre 10 e 12, outras duas entre 8 e 10, com um final infeliz para as restantes. Citando o próprio aluno: "Há coisas fantásticas, não há...?!".
Reflectindo sobre a situação, encontrei várias possíveis explicações para o sucedido. As principais são:
1- Os alunos são burros (a média de entrada superior a 15 não quer dizer nada);
2- Os professores Universitários são umas bestas, sem qualquer consciência do que realmente lhes é pedido - ensinar;
Penso que escolher qualquer uma das duas possibilidades, será generalizar demais. De facto há alunos burros (mas longe de serem 99%) e há bons professores universitários. Eu inclino-me mais para a possibilidade 2.
E assim vai o ensino em Portugal.
Faca, faca, faca, faca, ...
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Petição entregue na AR quer revogação da lei do aborto sem referendo
A liberalização do aborto, não acompanhada por uma verdadeira promoção/distribuição de métodos contraceptivos ou a universalização da educação sexual nas escolas pode contribuir de facto para um flagêlo social muito grande.
Ou talvez não.
O grande mérito da lei aprovada em Março de 2007 só será visivel lá para 2023 e prende-se com uma questão muito simples (talvez susceptível de ferir sensibilidades e convicções):
"Quem são, na verdade, os bebés que não nasceram?"
- Resultado de gravidezes indesejadas, mães adolescentes, falta de condições para crescer em segurança...
Quando em 2023 se assistir à maior queda dos índices de criminalidade da história moderna, não faltará quem orgulhosamente invoque para si a responsabilidade: "As medidas do governo, a eficiência da polícia, as melhorias extraordinárias de todo o sistema judicial..."
A verdade, no entanto, é que os criminosos não nasceram...
O Bom Pastor
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Tabaco sem civismo
Já há bastante tempo que se chegou à conclusão que o tabaco prejudica claramente a saúde, estando relacionado com vários tipos de asma e cancro (review)
Tendo esta iluminação acontecido, não consigo compreender como houve tanta relutância para com esta nova lei. No trabalho, nos restaurantes, em casa (esta infelizmente ainda vai continuar), a vida do não fumador era posta constantemente em causa.
Não consigo compreender como é que, estando a vida de outros em jogo, certas pessoas ainda digam que faz parte da sua liberdade pegar num cigarro e fumar seja onde for.
A aprovação da nova lei do tabaco foi sem dúvida um grande passo para a protecção da saúde pública em Portugal, em particular, do fumador passivo (apesar de ainda não estar a ser totalmente respeitada). Mas, na minha opinião ainda é insuficiente. Por exemplo:
- é permitido fumar nas paragens de autocarro. Se eventualmente estiver a chover, estando abrigado na paragem e comigo estiver alguém a fumar, terei que escolher entre ficar abrigado e correr o risco de apanhar cancro ou então sair do abrigo e apanhar uma pneumonia. Sem dúvida que são escolhas justas quando do outro lado, bastava que um certo individuo não acendesse um cigarro. Claro que podia reclamar também com os autocarros por estes demorarem tanto.
- não é permitido fumar em recintos comerciais fechados, mas à porta já não há problema. Portando, quando estamos a sair de um edifício destes, temos que passar por uma cortina de fumo desagradável com eventuais riscos. Podemos sempre não respirar e passar a correr.
Esta falta de civismo passa pela degradação do espaço publico. Somos constantemente confrontados com inúmeras beatas no chão, nas ruas, nos passeios, nos jardins, etc. Parece que o tabaco também provoca incapacidades físicas, como a incapacidade de colocar o resto do cigarro no lixo. Porque posso dizer com 100% de certeza que são os fumadores que o fazem.
Eu não sou contra as pessoas fumarem. Eu sou contra o fazerem outras pessoas fumarem sem estas o quererem. E têm todo o direito de não o querer.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Diz-se "Cadeiras" ou "Cadeias"
Mas não foi isso que me fez voltar... Enquanto estava a ver o meu Google Reader (isto é uma aplicação que reúne uma data títulos de noticias numa só interface só para mim em vez de eu ter que de facto abrir as páginas do publico, JN, etc. para procurar coisas interessantes para escrever aqui... a maioria dos jornais são enfadonhos e cheios de publicidade) fiquei assustadíssimo ao ler "Mais de metade das cadeiras regionais estão sobrelotadas". Não imaginam o meu horror a pensar que teria que andar com o meu próprio Puf para descobrir onde me sentar. Felizmente os editores descobriram a tempo o erro mas não foram rápidos suficiente para eu notar.
Eu até sou uma maquina de erros ortográficos nisto mas a questão é que a mim ninguém me paga para escrever direito e nem vocês pagam para ler o que escrevo (ainda não percebi porque carga de água vocês ainda estão a ler isto).
Aproveitando o vosso interesse e a notícia das cadeiras, apesar de haver um sobrelotamento de inumeras cadeias, parece que a capacidade global ainda não foi preenchida ("os 28 estabelecimentos prisionais regionais têm uma lotação de 2545 lugares, dos quais 2487 estão preenchidos...", "As 17 cadeias centrais têm capacidade para 8220 reclusos, acolhendo neste momento 7314.").
Então porque carga de água existem tantos maus cá fora? toca a prende-los e sobrelotar todas as cadeiras! Ou estarão a guardar o espaço para os novos reclusos?
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Matança do Porco
Este texto serve de introdução porque há uns dias (3 dias ou 30 não vou especificar) assisti a uma matança do porco tradicional.
E tal como a tradição dita, o porco foi trazido para local da matança, as crianças fizeram-lhe festas, ele andou pelo pequeno espaço que foi destinado a brincar e a roncar todo contente. Até que certa altura a multidão começou a juntar-se e soltou-se o porco do cercado. Ele começou a ver que alguma coisa se passava e, assustado, começou a tentar esconder-se. Algumas pessoas mais joviais tentaram apanhar o porco com as próprias mãos, mas ele escorregava-lhes, provocando as mais variadas gargalhadas.
Encurralaram-no a um canto, quatro pessoas rapidamente pegaram-lhe nas patas, içaram-no e colocaram num banco. Neste momento ele começou a guinchar de aflição, berrava, não acredito que houvesse um único lugar na aldeia em que não fosse ouvido o porco. Nesse momento chega o matador e o padre. O padre benze o animal, o matador, o que trabalha no talho, e espeta-lhe uma faca enorme no coração, o grito do porco agudiza-se, o sangue começa a jorrar, o corpo começa a agitar violentamente, as quatro pessoas quase não o conseguem aguentar.
Por quinze minutos ele berrou, cada vez mais fraco, enquanto o sangue lhe saia pelo buraco que o matador lhe tinha infligido, cada vez ele se mexia menos e menos, de vez em quando um espasmo, os quatro que lhe seguravam já quase não faziam força, aquele animal finalmente calou-se.
Em seguida pegou-se num fardos de palha que tinham sido trazidos da casa do agricultor mais rico da aldeia, colocou-se o porco no chão e espalhou-se a palha sobre o porco. Pegou-se fogo.
Com isto queimou-se os pêlos do porco.
Por último o matador, começou a abrir o porco, a cortar parte por parte. As crianças olhavam com admiração para dentro do animal a que tinham feito festas à meia hora atrás. Vai separando as partes para serem aproveitadas para diversos fins, chouriços, salpicão, bifes, quase tudo é aproveitado. Na barriga do porco vai-se amontoando uma poça de sangue. A certa altura o matador corta um bocado no "traseiro" do animal e inclina-o, fazendo jogar o resto do sangue pela sarjeta. "Eh pá que este era fêmea, estava com o período", goza um dos ajudantes. O matador acaba o trabalho e deixa a carcaça do porco a repousar. Amanhã vai haver festa na aldeia!
P.S. Os franceses ainda usam brindes na galette des rois (bolo rei local) e não querem saber de leis.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Pronúncia do norte
Tal como na musica, cá pelo norte já não temos barqueiros nem havemos de remar. Vamos encontrar caminhos novos para andar!