
Passaram quase dois anos desde a liberalização do aborto. A sensação que agora tenho é de que o aborto clandestino deixou de existir e que abortar agora, é saudável e não morre ninguém.
Os que defendiam a sua liberalização diziam defender também a vida, mas ao que parece o seu entusiasmo relativamente à vida acabou no momento que a lei de liberalização foi aceite. Não vejo acções de sensibilização para a diminuição deste problema.
Ora vejamos, acham que o aborto clandestino acabou? Não me parece. Mesmo que a nova lei tenha alargado a permissividade, a partir das 10 semanas não é permitido abortar. Logo, uma mulher que se encontre nesta situação e pretenda abortar terá que o fazer clandestinamente. Estas mulheres deixaram de ser importantes? Ou já serão chamadas de irresponsáveis porque o deveriam ter feito antes de chegarem as 10 semanas de gravidez? Gostaria de ver estatísticas relativamente ao número de abortos praticado e o número de mulheres que ainda acabam por parar ao hospital por abortos mal feitos. O aborto clandestino ainda existe!!!
O aborto diminuiu? Manteve-se? Aumentou? Não vejo outra possibilidade para alem da que, efectivamente, aumentou. Porque não havendo nenhuma acção para impedir o aborto, sendo mais acessível e legal, o número de pessoas que recorrem a esta, portanto, fácil e conveniente solução terá que ter aumentado também.
Não percebo como é que até é proibido mostrar a ecografia do feto à mãe. Acredito que do modo como actualmente se processa, muitas mulheres não terão consciência sequer do que estão a fazer quando abortam. De momento, abortar resume-se a tomar um pequeno comprimido.
No fundo o que os que votaram "não" temiam, aconteceu. A permissividade foi aumentada, e a preocupação pela vida humana desapareceu. Tantas medidas que poderiam ser tomadas para diminuir o numero de mulheres que recorrem ao aborto.
- Aumentar o subsídios relativamente ao número de filhos, que de momento são ridículos. Assim, a desculpa económica não poderia ser dada para recorrer ao aborto.
- Acções de planeamento familiar. Sem dúvida que a desinformação é uma das principais causas de gravidezes indesejáveis. Onde anda a educação sexual nas escolas? E nos bairros sociais? É preciso melhorar competências pessoais e sociais de toda a população, para que se tornem conscienciosos acerca das suas escolhas. Não podemos estar simplesmente à espera que as pessoas se informem. Este tipo de informação tem que ser transmitido de uma forma activa e não passiva, como tenho a impressão que está a acontecer.
- Diminuir ao tempo de burocracias necessário para adoptar uma criança. A mãe no fim da gravidez pode dar o seu filho a outro casal que deseja ter um filho e por alguma razão não os podem ter. Não consigo ver nenhuma vantagem no abortar, em matar um ser vivo, a da-lo a outro lar onde é desejado.
Liberalizar o aborto não solucionou o problema. Apenas o mascarou e o tornou esquecido.